quarta-feira, 9 de julho de 2008

Hospital (Municipal / Geral) do Andaraí


Os servidores municipais que trabalhavam no Hospital do Andaraí foram lotados, no fim do mês passado (junho 2008) em outras unidades de saúde da Prefeitura. Todos sabemos do caráter político desta medida. Em 2005, foram denunciadas as condições sofríveis das unidades de saúde do município, acontecendo uma intervenção do governo federal que, dentre outras medidas, retomou para si os hospitais que foram municipalizados a uns anos atrás, dentre eles a unidade de que estamos falando. Como se a saúde nas outras esferas de poder (Estado e Governo Federal) estivessem em melhores condições. Quem viveu a transição, a experiência das duas gestões distintas, pode notar problemas em ambas, com algumas pequenas variações. Tanto nesta saída de servidores quanto na transição em si, não foram Lula ou César Maia os mais prejudicados. Foram a população que precisa dos serviços da unidade (que suspendeu cirurgias eletivas por conta da saída dos profissionais) e os servidores, pela abrupta necessidade de trocarem de local de trabalho, como se seres humanos não fossem dotados de sentimentos, não criassem laços com o local, como se fossem móveis que se colocam em caminhões de mudança e se levam para outros lugares.

Foi uma experiência incrível. Quando comecei, numa sexta-feira 13, do mês de junho de 2003, não imaginei que fosse me envolver tanto com o serviço, o lugar e as pessoas. Acreditava que teria uma relação impessoal, meramente profissional. O serviço, incialmente era desafiador. Lidar com a quantidade de prontuários do Arquivo Médico e os problemas inerentes ao serviço público em si (carência de materiais e espaço físico adequado) não foi nada fácil, pelo contrário, foi muito cansativo e até gerou prejuízos à saúde. Mas estas foram as marcas de um bom combate. Fazer parte da equipe do Arquivo Médico do Hospital do Andaraí foi importante na minha formação enquanto ser humano.

As cobranças do Luiz Carlos e da Lila muitas vezes foram mal toleradas, gerando até atritos. No entanto, com a convivência com eles, pudemos notar um sentimento que não é muito comum no serviço público: o compromisso com a tarefa. Luiz Carlos, famoso por seus rompantes de idéias e mudanças de móveis do lugar (foram tantas arrumações da sala que eu já perdi a conta - acho que até ele perdeu!) sempre se esforçou para oferecer um "serviço de excelência" (para usar da sua expressão). Tem a vantagem de contagiar os outros com o seu esforço, porque, diferente de outros chefes, coloca a mão na massa, ordena, mas participa na execução do labor. A Lila, com os seus boletins e prontuários para laudos, sempre se esforçou para ajudar as pessoas que procuravam o serviço, realizando suas investigações com dedicação. Trabalhar com a dona Rosa, a Marta, com sua língua afiada e sua fala aguda enriqueceu nosso olhar crítico com relação aos problemas existentes no âmbito do setor público. Todos estes foram pessoas maravilhosas e importantíssimas que, seguramente, estão marcadas e presentes para sempre em nossas vidas.

O trio da Rufolo, Ítalo, Leandro e Gustavo mostrou qualidade também, a despeito da caligrafia de alguns deles, que lembra bastante hieróglifos egípcios. A presença dos Aspiras, apesar da nossa pouca convivência, também será lembrada com carinho. As vezes, na tentativa de os deixar a vontade, provavelmente cometemos exageros nas brincadeiras (que eram muitas com todos)... os apelidos que ficaram são marcantes: Monstro, Monstrinho, Pachequito, Shrek, Já Morreu, Fraqueza, Bob Esponja (não falarei a quem se referiam eles).

A presença de Fabiana e do Luiz Alberto, num momento em que o Arquivo se ressentia da crise de 2005 foi importantíssima para que o nível de qualidade fosse mantido, a despeito de eventuais rítmos de trabalho diferente entre as pessoas. A Cristiane, com sua versatilidade no serviço, suas participações nos debates de idéias comuns no setor,  além de sua boa vontade em auxiliar a quem estava "atrapalhado" com o volume de serviços, fruto de sua amizade sempre presente, foi figura igualmente importante nesse concerto. O núcleo que deu origem a SLISH, Gabriel, Eduardo, Guerreiro e eu foi um grupo, dentro de outro, que funcionou de maneira peculiar. Houve entrosamento quase que de imediato entre as partes e uma amizade que se estenderá para sempre começou a nascer. Quatro mundos diferentes, quatro realidades distintas, diferenças respeitadas, discussões de alto nível intelectual (sobre os mais variados assuntos) foram a solda que uniu esse grupo, acrescido com qualidade pela Fabiana e o Luiz Alberto, legado de amizade que teremos para sempre.

A despedida não foi fácil... Acredito que havia uma tensão natural em todos nós, pensando como ela seria... no prédio onde trabalhávamos, numa quarta-feira, eu, Eduardo e Fabiana percorremos os setores nos despedindo daquelas pessoas com quem convivemos quase diariamente... pessoas que, inicialmente, tivemos dificuldades de relacionamento, mas que, com a convivência, fomos conhecendo e criando laços. Havia um traço de emoção em todos os rostos que cumprimentamos... recomendações de sucesso e felicidade no novo local de trabalho, que fôssemos visitar algumas vezes e até uma pequena refeição numa festa junina organizada pela Darquel (do ambulatório de Ginecologia) deram o tom destes instantes. Mas o principal foi a sensação do dever cumprido, de ter feito o melhor que estava ao nosso alcance para que o Hospital (e as pessoas) fosse promovido, ganhasse com o nosso suor.

É com nostalgia (porque as despedidas não são fáceis), mas é também com imensa alegria, por tudo aquilo que nos acrescentou, que nos lembramos do HGA ou HMA, de todos nós Hospital do Andaraí!

4 comentários:

Gabriel Melgaço disse...

cara.. muito obrigado pelas palavras ... mas a historinha da frança me é peculiar ahuahauah

eu amo cinema disse...

Putz, não sei o q dizer... valeu por tudo que passamos, os amigos que fizemos ao longo desse caminho que se encerra e inicio de uma nova etapa.
Espero que nossas amizades prevaleçam.
bj no coração

Cristiane disse...

Essas palavras só fortalecem meu sentimento de que valeu por tudo!
Bjs. Cris

Regina Célia disse...

Vc conseguiu sintetizar o sentimento de todos nós que nos encontramos e agora nos afastamos....Muita saudade....Muito aprendizado...Muita amizade.Obrigadajuumfwgu